terça-feira, junho 28, 2005

Lisboa

Capital. Cidade de esgotos, cidade de ratos. Ratos de biblioteca, ratos de centro comercial, ratos da rua. Em Lisboa há sol, há chuva, há vento, há granizo, há pólens, há nevoeiro, por vezes maremotos e terramotos, raramente neve. Há edifícios históricos e transportes públicos, há edífícios decadentes e parques de estacionamento, há condomínios de luxo e jardins maltratados. Lisboa vive em harmonia com Cascais e Oeiras, condescende Amadora e Odivelas, envergonha-se da Curraleira e das Galinheiras. Orgulha-se de Alfama e da Mouraria, mas sabe que por lá há poucos motivos de orgulho. Ostenta um Castelo, mas não o dá a conhecer. Em Lisboa constrói-se muito, destrói-se muito, pensa-se pouco. Isto não é nada. Lisboa é muito mais que isto. É uma cidade que não se reconhece como tal, é a arena dos pobrezinhos, dos coitadinhos, dos desventurados, dos infelizes gladiadores que lutam para chegarem a um sítio melhor. Lisboa já foi capital da cultura, anfitriã de uma exposição Mundial. Lisboa já foi, há muito tempo, o centro do mundo. Ainda assim, não sabe o que fazer de si própria.

terça-feira, junho 21, 2005

É para quando?

- É para ontem.
- Sempre a pensar no passado.

domingo, junho 12, 2005

Ping Pong

Sophie Scholl, Traudl Junge.
Duas faces da mesma moeda, dois castigos. Para uma a morte, para outra o eterno castigo de ser lembrada e conhecida por ter colaborado com o regime mais odiado do século XX.
Sophie Scholl cometeu vários crimes que não estavam previstos na lei. O de ver a verdade e proclamá-la a todos os que não queriam ver. O de saber que todos se queriam cegar e, ainda assim, querer mostrar a todos que via. Talvez o seu maior crime tenha sido o orgulho. Orgulho em si, na família, nos seus ideais, na sua verdade. Contudo, foi julgada por alta traição.
Traudl Junge nunca foi condenada por um Tribunal. Fechou os olhos à verdade que dizia não ter reconhecido. Disso foi absolvida, como tantos outros. O seu lugar na História não é o de uma heroína, ou de uma mártir. É o de um ser humano com uma moral comum, que sobreviveu à guerra para contar a história dos bastidores de Hitler.
A morte de Sophie Scholl terá trazido alguma coisa de bom? Talvez tenha servido de exemplo, sendo certo que o exemplo a tirar da sua história é ambíguo. Parece louvável alguém dar a cara pelos ideais em que acredita. Mas morrer por eles? Terá servido de alguma coisa? Não foi por Scholl ter morrido que a guerra acabou ou que a sua verdade se tornou na verdade de hoje. Por outro lado, o exemplo de Junge, se bem que menos louvável, contribuiu para a História. Serviu a todos aqueles que queriam saber mais sobre a cabeça do Nacional Socialismo.
Fico sem saber que julgamento fazer das acções destas mulheres. Talvez não haja um juízo linear para as suas condutas. Há, decerto, muitas lições a tirar das suas vidas. Cada um tirará as suas.

sábado, junho 11, 2005

I seem to recognize ur face

Hoje revisitei o meu caro amigo R. É agradável relembrar toda uma panóplia de peripécias, em dupla, com uma audiência atenta. Faz-me sentir velho, não muito, seria um ultraje. Mas o que sabe mesmo bem é pensar que mais peripécias estão para vir. Em panóplia, de preferência.

terça-feira, junho 07, 2005

Procura-se diagnóstico

sintoma: audição, por livre e espontânea vontade, de um cd de Phil Collins.

segunda-feira, junho 06, 2005

O bom tempo II.

Mais uma consequência do bom tempo; traz, em geral, a boa disposição. Enquantos os Escandinavos se suicidam, os Portugueses riem-se. Quem ri por último, ri melhor, diria um dos vários Escandinavos que começa os seus dias com um café e uma leitura do chichisbeu. Apesar dos atrasos estruturais e das constantes crises, queixamo-nos muito e matamo-nos pouco. Moral da história: Quem ri por último ri atrasado.

sábado, junho 04, 2005

O bom tempo

Além da vantagem de ser bom enquanto tempo, o bom tempo traz consigo a diáspora da massa popular dos centros urbanos em direcção à praia e ao campo. Assim se explica arranjar lugar para estacionar no saldanha a uma sexta feira à noite.