Lisboa
Capital. Cidade de esgotos, cidade de ratos. Ratos de biblioteca, ratos de centro comercial, ratos da rua. Em Lisboa há sol, há chuva, há vento, há granizo, há pólens, há nevoeiro, por vezes maremotos e terramotos, raramente neve. Há edifícios históricos e transportes públicos, há edífícios decadentes e parques de estacionamento, há condomínios de luxo e jardins maltratados. Lisboa vive em harmonia com Cascais e Oeiras, condescende Amadora e Odivelas, envergonha-se da Curraleira e das Galinheiras. Orgulha-se de Alfama e da Mouraria, mas sabe que por lá há poucos motivos de orgulho. Ostenta um Castelo, mas não o dá a conhecer. Em Lisboa constrói-se muito, destrói-se muito, pensa-se pouco. Isto não é nada. Lisboa é muito mais que isto. É uma cidade que não se reconhece como tal, é a arena dos pobrezinhos, dos coitadinhos, dos desventurados, dos infelizes gladiadores que lutam para chegarem a um sítio melhor. Lisboa já foi capital da cultura, anfitriã de uma exposição Mundial. Lisboa já foi, há muito tempo, o centro do mundo. Ainda assim, não sabe o que fazer de si própria.
