terça-feira, setembro 14, 2004

Polyvox de um Chichisbeu.

Dei por mim a olhar para a Sé e a pensar num quadro que já nem sei se tenho em casa. Gostava de saber pintar assim para aproveitar a imagem que me ficou gravada na cabeça. A Sé a olhar para mim, e ali o grande Tejo que vem de Espanha e cuja história propicia perguntas de Grands-Professeurs Alemães. Mas não sei pintar assim. Às perguntas vou respondendo: "-Sim, os Árabes estiveram cá e o Espanhóis não falam só Castelhano, por isso talvez haja mais que uma maneira de dizer Tejo na terra deles." Também nessa noite vi a cidade e tentei descobrir o Restelo. "-Je suis un GPS médiocre", foi a melhor resposta que consegui dar a quem quase tinha matado há pouco. Mas não faz mal, é tudo gente civilizada, e também se pensas que isso do GPS te fica bem não sabes o que te espera. E esperava-me mesmo, o GPS não brinca e rapidamente me descobriu a mim. Antes tinha andado a meter-me com constelações, Orion para ser mais preciso, ignorando que lá no espaço tanto se passa sem (quase) ninguém dar por isso.
Dei por mim a olhar para a Sé e para o Tejo e para o espaço, o celeste, e depois aquele mais pequeno que me envolvia e me acolhia. Despojei-me destes pensamentos e voltei para o meu cigarro, que não a matou a ela, mas há-de me matar a mim.